Quando no Mugaritz souberam que era o meu aniversário, a brigada de cozinha fez uma festa.
Fizeram um bolo de banana, colocaram as velas, e festejaram.
Depois, lembraram-se de mim, reuniram os restos do bolo num guardanapo e pediram para mo trazerem à mesa. (Ainda bem, porque o bolo estava belíssimo e as velas eram gulosas ...)
Foi com esta história (e com estes "restos") que o Mugaritz me desejou feliz aniversário.
Isto diz tudo sobre o que é ir ao Mugaritz - é uma experiência que nos surpreende a cada momento, mas que nos envolve e diverte, a par da degustação de pratos inovadores e desafiantes. Inesquecível!
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
Uma grande semana!
No que toca a refeições e vinhos, pode dizer-se que foi uma semana cheia de acontecimentos dignos de serem assinalados!
4ª feira 18 de Junho - Almoço na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa
O último almoço da turma de Culinary Arts S3 com o Chef Nuno Diniz que nos trouxe mais uma vez pratos criativos e muito bem confeccionados, demonstrando grande evolução desta turma em termos de complexidade e de arrojo.

4ª feira 18 de Junho - à tarde
Chegou o Preto Branco Reserva 2011!
As expectativas são grandes, pois são grandes os Preto Branco 2004 e Reserva 2008!
5ª feira 19 de Junho - Jantar no Grémio Literário pela mão do Chef Nuno Diniz
Grande Jantar!
Na mesa juntou-se um grupo divertido e apreciador, o que também contribuiu para que o jantar fosse um sucesso.
Acompanharam Madrigal 2012 e Aurius 2009.
Mais detalhe num próximo post.
6ª feira - Jantar em casa de amigos e uma descoberta interessante
Jantar em casa de amigos que cozinham bem é um privilégio e foi este o caso. Tudo muito bom. Merece destaque a sopa fria de melão com presunto.
E quando os amigos também se interessam por vinhos, então fica ainda mais interessante ...
Neste caso permitiu-nos a descoberta da casta Vranec através de de um vinho macedónio, o Imperator 2011. Com um nariz muito intenso, muito herbáceo, na boca é persistente, com os mesmos toques herbáceos a que se juntam frutos vermelhos como cerejas e bagas. Uma casta que merece ser conhecida e apreciada.
4ª feira 18 de Junho - Almoço na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa
O último almoço da turma de Culinary Arts S3 com o Chef Nuno Diniz que nos trouxe mais uma vez pratos criativos e muito bem confeccionados, demonstrando grande evolução desta turma em termos de complexidade e de arrojo.
4ª feira 18 de Junho - à tarde
Chegou o Preto Branco Reserva 2011!
As expectativas são grandes, pois são grandes os Preto Branco 2004 e Reserva 2008!
5ª feira 19 de Junho - Jantar no Grémio Literário pela mão do Chef Nuno DinizGrande Jantar!
Na mesa juntou-se um grupo divertido e apreciador, o que também contribuiu para que o jantar fosse um sucesso.
Acompanharam Madrigal 2012 e Aurius 2009.
Mais detalhe num próximo post.
6ª feira - Jantar em casa de amigos e uma descoberta interessanteJantar em casa de amigos que cozinham bem é um privilégio e foi este o caso. Tudo muito bom. Merece destaque a sopa fria de melão com presunto.
E quando os amigos também se interessam por vinhos, então fica ainda mais interessante ...
Neste caso permitiu-nos a descoberta da casta Vranec através de de um vinho macedónio, o Imperator 2011. Com um nariz muito intenso, muito herbáceo, na boca é persistente, com os mesmos toques herbáceos a que se juntam frutos vermelhos como cerejas e bagas. Uma casta que merece ser conhecida e apreciada.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Jantar no Panorama pelo Chef Ricardo Simões
Por convite expresso do jovem Chef Ricardo Simões, estivemos
a semana passada a jantar no Panorama.
Foi-nos proposto um menu de nove pratos que, não sendo um
Menu de Degustação disponível na carta, pretendia dar-nos a conhecer alguns dos
pratos que constam da oferta do restaurante.
O Chef Ricardo Simões propõe uma cozinha que é uma
interpretação pessoal da cozinha portuguesa, a que junta influências asiáticas.
Estão ainda notoriamente presentes as influências de dois dos seus mestres,
Aimé Barroyer e Leonel Pereira, facto aliás confirmado pelo próprio Ricardo na
conversa que tivemos com ele no final do jantar.
O que nos foi proposto seguia uma linha de respeito pelo
produto, no sentido de tentar que cada ingrediente esteja presente numa forma o
menos mascarada possível, e de procura de harmonia de sabores suaves. Não se
procure aqui o choque ou mesmo a grande surpresa; simplicidade, tranquilidade e
harmonia, poucos ingredientes no prato, produtos reconhecíveis, resultados
finais saborosos e tranquilos.
Podem ver na foto anexa o menu que foi proposto (com
excepção da segunda sobremesa, que não foi esta mas sim um Bolo de amêndoa com
doce de ovos, gelado de amarguinha e chá verde).
Tudo teve muito boa qualidade, dentro da linha descrita
acima, e com uma execução tecnicamente correcta, por vezes brilhante – o
leitão, por exemplo, estava perfeito.
O prato onde houve maior contraste entre os ingredientes,
sem perder a harmonia, foi sem dúvida o de salmonete, um dos pontos altos do
menu. O caldo dashi era extraordinário e ligava todo o prato, harmonizando os
vários componentes.
Também o pombo e o leitão foram pontos altos; no pombo todos
os produtos se integravam muito bem, e no leitão o ponto perfeito de feitura do
dito, sem qualquer gordura supérflua e com a pele estaladiça, dava ao prato um
nível muito alto, onde a nota extra era dada por uma couve pack shoi quase
crua.
O menos conseguido para mim foi um prato aparentemente muito
popular, o robalo sobre puré. O resultado era demasiado “de uma nota só” para o
meu gosto.
Também as sobremesas eram bastante boas, estando ao nível do
resto do menu, o que nem sempre acontece. A segunda sobremesa estava
particularmente boa, muito fresca, adequada à estação primaveril
De referir também o pairing de vinhos que nos foi proposto,
sendo que o primeiro branco, que eu não conhecia, o Casa de Paços Superior 2011
(castas Alvarinho, Arinto, Loureiro e Fernão Pires) foi uma excelente surpresa.
Resumindo, o Panorama continua a ser um muito bom
restaurante, com propostas muito interessantes, que coexistem com a nova opção,
que não testámos, de ter pratos de grelha, uma necessidade de adaptação à
clientela do hotel mas que não substituiu a oferta de “fine dining” que se
mantém como a oferta principal e a melhor razão para lá se ir comer (além claro
da fantástica vista).
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Hervé This em Lisboa
Provocador
Arrojado
Controverso
Divertido
Desconcertante
Quase caótico (quase, porque parece, mas não é; chega sempre
onde quer chegar)
Foi assim Hervé This nas 2 conferências que deu hoje em Lisboa,
onde anunciou que a Cozinha Molecular está morta (e se ainda não está, ele quer matá-la), chamou a atenção para a diferença entre Cozinha Molecular e Gastronomia Molecular e apresentou a sua proposta de cozinha Note à Note para a resolução do problema da alimentação em 2050, quando seremos pelo menos 10 biliões a habitar este planeta.
Quanto a esta proposta, Hervé This fez questão de salientar
que a cozinha Nota a Nota é isso mesmo, uma proposta, não uma solução. E como
tal, deve ser analisada, melhorada ou modificada.
Pelo meu lado parece-me uma proposta muito arrojada, mas é
uma proposta muito concreta e que deve ser considerada, pois é urgente começar
trabalhar para encontrar soluções para diminuir o desperdício de alimentos,
diminuir o desperdício de energia, actuar de forma sustentável.
Para complementar a descrição de Hervé This, deve dizer-se que é um fanático da evolução - porque é que estamos tão agarrados às tradições, mesmo quando são comprovadamente más, questiona; e desespera com a lenta ou quase nula evolução das técnicas de cozinha. Por isso, tem um slide com uma fotografia de um laboratório (a canónica foto com tubos de ensaio e outra parafrenália semelhante) e com o divertido título Labs are full of useful tools that can be used in cooking.
Mas reduzir Hervé This ao cientista que ele realmente é, seria
injusto. Como ele próprio disse, Cozinhar é Amor, Arte e Técnica, e pareceu
ficar surpreendido quando na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril lhe disseram
que os futuros cozinheiros não têm aulas de Arte.
Quanto ao Amor, disse ele (e eu subscrevo inteiramente):
I need people that can tell me ”I love
you” with food.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Recordações do Peixe em Lisboa 2014
As nossas escolhas (Domingo 6 de Abril)
o
Fotos: Luísa Corbal
| "Eclair" de sapateira com gel de mariscos e ervas - Bica do Sapato |
| Choco frito com maionese de wasabi - Bica do Sapato |
o
| Os nossos peixes fumados com puré de limão e azeite de alcaparras - Bica do Sapato |
| Leite creme de tomilho limão - Bica do Sapato |
| Ceviche de robalo com leite de tigre - Arola |
| Bravas de Bacalhau de cura portuguesa e fígados fumados - Arola |
| Mexilhões "and chips" d'espelette e pimenton de la vera - Arola |
| Ensaio de bacalhau à Brás - Avenue |
| Francesinha com bife de atum e sapateira - Avenue |
| Gaspacho de cereja e tosta com cavala fumada e creme de requeijão - José Avillez |
Fotos: Luísa Corbal
sábado, 5 de abril de 2014
ORIGENS pelo chef Yoji Tokuyoshi
Não é fácil traduzir
em palavras uma experiência tão intensa e especial como a que ontem nos foi
proporcionada pelo Amuse Bouche no Kiss the Cook - Origens pela mão do chef
Yoji Tokuyoshi.
Deveria por
isso cingir-me a um ponto alto, mas não dá, porque foram vários. Por isso
assinalo aquilo que para mim foi memorável em cada um dos pratos.
- Polipo – Quadrado do capelo com uma ventosa por cima, sobre caldo do mesmo. O polvo, apenas branqueado, logo muito rijo, permite-nos, tal como nos foi explicado e depois experienciado, sentir o sabor do polvo de forma muito mais intensa do que é habitual. Talvez porque é preciso mastigar, mastigar, mastigar. Muito bom.
- La tintura – Choco com tinta sobre ervas frescas (entre elas manjericão e hortelã) e ervilhas na casca. A textura do choco surpreendentemente sedosa. Surpreendente também a ligação da tinta com as ervas frescas. Muito saboroso e fresco.
- Risotto Umani – criado a partir de uma sopa japonesa é um falso risotto, uma vez que não tem arroz, apenas legumes – pastinaca, aipo. Estes, cortados no tamanho de bagos de arroz, são apresentados após escorridos do caldo e o tamanho dos legumes confere uma textura muito interessante a este prato.
- Bianco e Bianco – Assisti ao empratamento: uma colher de puré de batata, por cima lascas de bacalhau cozinhadas e lascas de parmesão, mais uma colher de puré de batata em cima do bacalhau, tudo finalmente regado com polenta de milho branco.Um prato de uma simplicidade desarmante que nos dá sabores e sabores, grande cremosidade, e vontade de comer sem parar...
- Cantucci, Formaggio e Albana Passito – o cantucci é um biscoito rijo (de que eu gosto imenso) que se pode comer molhado em vinho doce; neste caso o vinho doce foi apresentado na forma de gelado e o cantucci, vem em bocados e menos densos do que é habitual; junta-se a isto um molho de queijo cremoso e tem-se um toque ácido que faz desta combinação uma sobremesa perfeita e de grande originalidade.
Tudo isto num
ambiente informal muito agradável e com excelente companhia à mesa!
quarta-feira, 2 de abril de 2014
O fricassé, a canela e o pato.
E se repente lhe apresentassem um prato da cozinha
tradicional portuguesa que nenhum renomado chefe renegaria? Pela elegância,
pela ousadia e pelo equilíbrio de sabores! Ficaria, provavelmente, agradavelmente
surpreendida/o.
Pois foi como ficámos, para além de deleitados, com o Fricassé de Pato com Canela, acompanhado por batata-doce roxa de Aljezur, no almoço de
hoje da turma Culinary Arts 25, Chef Nuno Diniz, da Escola de Hotelaria e
Turismo de Lisboa. Mas detalhemos:
A Elegância – porque sempre achei o fricassé um molho elegantíssimo,
de uma delicadeza extrema (serão as gemas?) e este assim se apresentou.
A Ousadia – para mim colocar canela neste prato é realmente uma
ousadia; adoro canela nos doces, no café, mas na comida não aprecio, pois
normalmente “toma conta” do prato abafando os restantes sabores. Neste caso,
tal não aconteceu.
O Equilíbrio – Conseguido! Porque o toque adocicado da
canela equilibra de forma eficaz, mas sem protagonismos, a acidez do limão do
molho de fricassé.
O molho foi pois a estrela deste prato, mas é indispensável
deixar algumas palavras sobre:
A batata-doce (única alteração à receita original; nesta é arroz que acompanha) – excelente, com uma cor vibrante, acompanhou
de forma adequada, contribuindo para apaziguar ainda mais o toque ácido do
molho que alguns poderão não apreciar tanto quanto eu.
O pato – embora o molho tenha concentrado todas as minhas
atenções é a figura central deste prato; estava cozinhado de forma correcta e muito
saboroso.
Enfim, uma receita tradicional de Trás-os-Montes (conforme apresentada
por Maria de Lurdes Modesto num dos seus livros) respeitada, melhorada e
valorizada por quem sabe, e que poderia estar, sem vergonha nem modéstia, na
lista de muitos reputados restaurantes nacionais e internacionais.
Belíssimo!
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